Mundo pós-pandemia: o poder da transformação

O historiador britânico Eric Hobsbawm afirmou que o século XIX só terminou depois do fim da primeira guerra mundial, em 1918. O tempo, apesar de poder ser expresso pelos termos técnicos de uma virada de calendário, na realidade funciona pela sensação da passagem humana. Faz sentido a frase de Hobsbawm, porque com a fim daquela guerra também veio a experiência do luto e da capacidade de um poder bélico destrutivo antes não visto.

Muitos pesquisadores agora refletem que a pandemia do Covid-19 marca o final do século XX. Lilia Schwarcz, professora da Universidade de São Paulo e de Princeton, afirma que este foi o século do grande desenvolvimento da tecnologia, mas a pandemia mostrou que até mesmo esse desenvolvimento tem limites frente à natureza.

Grandes acontecimentos, incluindo tragédias, fazem parte da trajetória humana na terra e acabam suscitando muitos avanços científicos, ou antecipando mudanças que em breve ocorreriam de qualquer modo (ou você não se viu forçado a aprender alguma coisa nova durante essa quarentena, como, por exemplo, fazer uma live em alguma rede social?). Porém, mais do que isso, elas nos lembram do poder do ser humano de se reinventar, de se desafiar e aprender com o tempo que nos é dado.

Por mais que a tecnologia sempre esteja do nosso lado para ajudar, é preciso pensar sobre o que não mudou: a nossa capacidade de poder sentir empatia e de olhar para o passado para reimaginar o futuro. As cidades são um exemplo disso, carregam nossa história e cultura local por suas arquiteturas e ruelas, um passado que chega até o nosso presente, pois são verdadeiras marcas que antepassados deixaram para nós.

E talvez seja isso o que devemos nos perguntar: o que queremos deixar para as próximas gerações?

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